E quando chega a fase da Alimentação Complementar?
Entenda a importância dessa fase e conheça as recomendações baseadas em evidências científicas.
E quando chega a fase da Alimentação Complementar?
Entenda a importância dessa fase e conheça as recomendações baseadas em evidências científicas.
A chegada de uma criança transforma profundamente a vida de uma família. O ambiente ganha novas cores, sons — como chorinhos e balbucios — e até novos cheiros. A rotina também se reorganiza, com horários diferentes, tarefas inéditas e hábitos que se adaptam ao novo momento. Além disso, surgem novos planos e prioridades, refletindo a importância dessa fase tão especial.

Imagem by acervo pessoal Raphaela Machado
A chegada de uma criança transforma profundamente a vida de uma família. O ambiente ganha novas cores, sons — como chorinhos e balbucios — e até novos cheiros. A rotina também se reorganiza, com horários diferentes, tarefas inéditas e hábitos que se adaptam ao novo momento. Além disso, surgem novos planos e prioridades, refletindo a importância dessa fase tão especial.

Imagem by acervo pessoal Raphaela Machado
A total dependência do bebê dos cuidados parentais vai cedendo espaço ao seu pleno e intenso crescimento e desenvolvimento, acompanhados atentamente pela família e pelos amigos, pelo pediatra, pelos profissionais da creche e por todos ao seu redor.
Cada momento é permeado por muitos significados: a escolha do nome, o dia do nascimento, a queda do coto umbilical, o primeiro sorriso, a descoberta da própria mão e do pé, o movimento de se virar sozinho no berço ou na cama, o ato de sentar, engatinhar e andar, entre tantos outros marcos. E também, claro, o início da alimentação complementar.
Essa fase é aguardada com muito entusiasmo pela maioria, mas também costuma trazer muitas dúvidas. Afinal, ao longo do tempo, diversas recomendações foram modificadas.
Por volta dos 6 meses de idade, o bebê geralmente apresenta sinais de prontidão, indicando que, fisiologicamente, está maduro para receber outros alimentos além do leite humano. O início da alimentação complementar não se baseia, portanto, apenas na idade cronológica.
A partir dos 6 meses de vida, o bebê precisa de alimentos que complementam nutricionalmente o leite humano, especialmente no aporte de ferro. Por isso, a primeira refeição oferecida costuma ser o almoço, que inclui alimentos fontes desse mineral, como carnes, feijões e folhosos verde-escuros.
A alimentação complementar é fundamental para a formação de hábitos alimentares saudáveis, a longo prazo, representando um importante determinante da saúde da criança e do adolescente. Além dos benefícios nutricionais, influencia todo o desenvolvimento infantil, abrangendo aspectos como a saúde odontológica, o desenvolvimento da linguagem, o fortalecimento do sistema imunológico, o crescimento, a socialização, entre outras habilidades.
O “Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 Anos” é um documento oficial do Ministério da Saúde que reúne as diretrizes atuais sobre a alimentação complementar, elaboradas com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde. A linguagem é acessível a toda família e, caso você ainda não o conheça, vale a pena consultá-lo. Estão disponíveis a versão completa (2020) e a versão resumida (2025).
Inicialmente, o bebê deve ser estimulado a experimentar alimentos macios, de consistência pastosa, ou seja, amassados com o garfo, moídos ou desfiados. Com o avanço da alimentação complementar, passam a ser oferecidos alimentos macios em pedaços, até alcançar a alimentação da família, em geral por volta de 10 a 12 meses de idade.
A tradicional sopa de legumes liquidificada, ou papa de legumes, deu lugar ao nosso conhecido “pê-efe”, ou melhor, “pê-efinho”, composto por um alimento de cada grupo, servidos no prato (Ex.:vegetais, carnes, ovos, cereais como arroz e leguminosas como feijão). Dessa forma, é possível estimular a mastigação e a identificação do sabor de cada alimento.
O almoço e as frutas, oferecidas na colação e no lanche da tarde, costumam ser as primeiras refeições introduzidas. A partir da boa aceitação do almoço, inicia-se também o jantar, geralmente próximo aos 7 meses de vida.
O açúcar de adição e os alimentos que o contenham não devem ser oferecidos às crianças antes dos 2 anos de idade, incluindo o mel. Da mesma forma, alimentos ultraprocessados não devem ser oferecidos às crianças.
Em relação a oferta de água, a partir do momento em que o bebê passa a receber outros alimentos além do leite humano, é necessário oferecer água filtrada nos intervalos das refeições. O suco natural de frutas (sem adição de açúcar) pode ser oferecido a partir de 2 anos de idade; antes desse período, deve-se priorizar a oferta da própria fruta.
Nessa fase, a criança experimenta novos sabores, texturas e cores, e pode até recusar algum alimento, expressando que não gostou…Porém, muitas vezes essa recusa pode ocorrer por se tratar de algo novo, ainda desconhecido. Com a repetição, o alimento se torna familiar e a tendência é que a aceitação melhore, por isso, vale a pena persistir. É possível que a criança realmente não goste de determinado alimento (e tem esse direito!). Nesse caso, recomenda-se modificar a forma de preparo ou de apresentação e tentar novamente, ou substituir por outro alimento do mesmo grupo.
Partilhar cada refeição à mesa é essencial para a formação de hábitos alimentares adequados e saudáveis, pois, nessa fase, a criança aprende também por imitação. Apresentar os alimentos e permitir que ela os pegue com as próprias mãos, despertando a curiosidade para explorar e experimentar, é fundamental nesse processo de aprendizagem. Da mesma forma, vivenciar a forma tradicional de comer com o auxílio da colher contribui para esse desenvolvimento.
Partilhar cada refeição à mesa é essencial para a formação de hábitos alimentares adequados e saudáveis, pois, nessa fase, a criança aprende também por imitação. Apresentar os alimentos e permitir que ela os pegue com as próprias mãos, despertando a curiosidade para explorar e experimentar, é fundamental nesse processo de aprendizagem. Da mesma forma, vivenciar a forma tradicional de comer com o auxílio da colher contribui para esse desenvolvimento.
Cada criança tem seu próprio tempo. Algumas aceitam prontamente os alimentos, enquanto outras precisam de um período maior para conhecê-los. Forçar a comer não é o melhor caminho, assim como recorrer ao outro extremo, oferecendo recompensas ou distrações durante as refeições.
Por vezes, especialmente no início da alimentação complementar, é interessante incentivar que as crianças façam refeições juntas ou que um adulto próximo à criança — diferente dos pais —ofereça a refeição, pois esses estímulos costumam ser bastante eficazes.
Cada criança tem seu próprio tempo. Algumas aceitam prontamente os alimentos, enquanto outras precisam de um período maior para conhecê-los. Forçar a comer não é o melhor caminho, assim como recorrer ao outro extremo, oferecendo recompensas ou distrações durante as refeições.
Por vezes, especialmente no início da alimentação complementar, é interessante incentivar que as crianças façam refeições juntas ou que um adulto próximo à criança — diferente dos pais —ofereça a refeição, pois esses estímulos costumam ser bastante eficazes.
Respeitar a quantidade e o que a criança deseja comer é fundamental. A família precisa assegurar uma rotina com horários definidos para as refeições, oferecer alimentos adequados e saudáveis e estar atenta aos sinais da criança, inclusive aos de fome e saciedade.
Utensílios coloridos ou com os personagens favoritos podem tornar o momento da refeição mais atrativo; no entanto, o mais importante é dedicar tempo à criança.
A variedade do cardápio, a apresentação dos alimentos e o sabor — com temperos naturais e quantidade mínima de sal —também serão atrativos. O envolvimento da criança desde a escolha, passando pelo preparo (com segurança), até o consumo, contribui para o estabelecimento de uma relação saudável com a alimentação.
A alimentação nos primeiros 2 anos de vida repercute em todas as fases do ciclo da vida — na pré-escolar, escolar, adolescente, adulta e idosa— e, por isso, compensa toda a dedicação coletiva!
Existem boas referências, tanto em livros quanto em meios digitais, que podem apoiar a alimentação de crianças menores de 2 anos. A seguir, apresentamos exemplos de livros e um perfil no Instagram com conteúdo e diversas sugestões de receitas capazes de auxiliar na variedade do cardápio:
- Lobo, Rita. Comida de bebê: uma introdução à comida de verdade. São Paulo: Editora Senac. Editora Panelinha. 2017.
- Fontoura, Fernanda. Cores e sabores da Diana. Comidinhas da Diana.
- Perfil no Instagram: @bemquerer.nutricaoinfantil.
O acompanhamento nutricional individualizado por um nutricionista contribui significativamente para a promoção da saúde da criança e de toda a família. Ao longo do acompanhamento de puericultura, é importante buscar esse profissional, seja na Atenção Primária à Saúde (Posto de Saúde), seja na rede privada.
Por fim, desejamos que desfrutem dessa fase repleta de memórias e registros: as “caretas engraçadas” ao experimentar alimentos novos, os rostinhos “sujos” de feijão, a cadeirinha com “amostras” de vários alimentos e a satisfação expressa em um soninho que chega antes do tempo. Entre tantos momentos, não resta dúvida: é uma fase deliciosa!
Todos os direitos deste material são reservados ao LANUTRI/INJC, conforme a Lei nº 9.610/98.
Autoria do texto:
Raphaela C. M. Machado*; Marcelly C. O. dos S. Lopes*; Vanessa Chaia Kaippert*. E quando chega a fase da Alimentação Complementar? Entenda a importância dessa fase e conheça as recomendações baseadas em evidências científicas. Laboratório de Avaliação Nutricional (LANUTRI) do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro, 09 de outubro de 2026. Disponível em: https://lanutri.injc.ufrj.br/2026/10/09/alimentacao-complementar/
*Nutricionista do LANUTRI/INJC/UFRJ.
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primaria à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primaria à Saúde, Departamento de Promoção da Saúde. – 1. ed., 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2020. 264 p. : Il.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos: versão resumida. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_crianca_brasileira_resumidareimp.pdf. Acesso em: 8 out. 2026.
Lobo, R. Comida de bebê: uma introdução à comida de verdade. São Paulo: Editora Senac. Editora Panelinha. 2017.
WHO. Guideline for complementary feeding of infants and young children 6–23 months of age. Geneva: World Health Organization; 2023.
Fontoura, F. Cores e sabores da Diana. Comidinhas da Diana, 2017.
Bem querer em nutrição infantil. @bemquerer.nutricaoinfantil. Disponível em: https://www.instagram.com/bemquerer.nutricaoinfantil/. Acesso em: 8 out. 2026.





